Sobre o autor:

* Claudio Andrade
é diretor executivo da Inteos Consultoria em Sistemas Sociais,  prof. de pós-graduação de jornalismo da PUC-COGEAE e especialista em Comunicação para Sustentabilidade.

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A comunicação para a crise requer solidariedade e cooperação

por Claudio Andrade*

O grande assombro da atual crise econômica passou. Agora é hora de fazer uma profunda análise para ver o que esse episódio baliza em nossa sociedade e quais processos foram afetados. Uma coisa é certa, essa questão vai além do modelo econômico que se vive. Diferente da tão falada e comparada crise de 1929, esta é uma crise de percepção que pede uma releitura de valores e princípios.

Possíveis responsáveis pelos últimos abalos econômicos são apontados a todo instante. Recentemente a revista Times indicou 25 deles na matéria “Os rostos da crise”. Aos olhos dos mais atentos, esse estudo chama atenção para o fato de que ao mesmo tempo em que especialistas procuram razões para esse momento crítico ter se iniciado, outras milhares de pessoas continuam criando tecnologias e desenvolvendo conhecimento. Qual a relação que temos aqui?  Na verdade são maneiras distintas de olhar para um mesmo problema, todavia uma decisão estratégica de onde colocar a força gerada pela busca,  seja na causa, seja na conseqüência. Portanto, essencialmente, essa crise que o mundo presencia pode ser considerada como uma escolha e um ato de percepção. Alguns preferirão resolver rapidamente a questão com demissões e redução de produção e outros com criatividade  e soluções conjuntas. 

É, sem dúvida, concreta essa crise do ponto de vista econômico. Contudo, envolve-se aí uma revolução também concreta e decisiva de mentalidade para se fazer negócios e reduzir seus efeitos colaterais. É uma grande oportunidade para refletir sobre a contribuição da comunicação como processo de cooperação, principalmente como deflagradora de uma cultura menos insustentável.  A comunicação de modo estratégico possibilita a criação de futuros conjuntos e oferece ferramentas para pensar e agir com maior propriedade e coerência. Torna a empresa imbatível adquirindo proveito competitivo crescente, inclusive, muitas vezes com baixo ou nenhum investimento de ação de marketing. Um bom caminho é atentar para a comunicação com stakeholders e aprender com a experiência de todos nós como parte da solução.

Sem intenção de oferecer receita, mas contribuir com essa reflexão e ampliar a discussão, sugere-se aqui uma pauta:

  1. Mobilizar o indivíduo para agir coletivamente;
  2. Estimular a crença nos objetivos comuns;
  3. Estabelecer a ação comunicativa: não existe estratégia que se sustente quando não há diálogo e não há diálogo em ambientes de contradições pessoais e profissionais;
  4. Desenvolver a capacidade da visão sistêmica considerando a diversidade da realidade;
  5. Contribuir com o aporte interdisciplinar para a geração de conhecimento;
  6. Integrar a cadeia de valor para adquirir cooperação.

O que digo é que devemos provocar em nossas empresas e organizações uma nova visão de superação em momentos de crise.  É esse o maior desafio, olhar para a comunicação como mecanismo de redução da complexidade do mundo e tornar as pessoas mais treinadas para fazer a relação entre as coisas. Desta forma atuaremos mais nas causa e menos nas conseqüências.  A caixa de ferramentas das empresas e as decisões imediatas resolvem, mas não solucionam.

Todos somos parte indissociável desse processo. Funcionários, clientes, acionistas, fornecedores, consumidores; um elo rompido provocará impacto em toda rede. Quem azeita esses elos e permite que não se rompam é a Comunicação, principalmente no interior da cultura organizacional, local onde ocorrem as verdadeiras mudanças desejadas.

Na concretização dos ideais corporativos, são as ações articuladas que determinam as qualidades individuais e profissionais, assumindo papel preponderante de preservação organizacional. Portanto, a comunicação – principalmente em tempos de crise - será decisiva para a formação de propósitos comuns. Solidariedade e cooperação: conceitos inseparáveis para superar qualquer crise.
 

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