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O grande assombro da atual crise econômica passou. Agora é hora de fazer uma profunda análise para ver o que esse episódio baliza em nossa sociedade e quais processos foram afetados. Uma coisa é certa, essa questão vai além do modelo econômico que se vive. Diferente da tão falada e comparada crise de 1929, esta é uma crise de percepção que pede uma releitura de valores e princípios. Possíveis responsáveis pelos últimos abalos econômicos são apontados a todo instante. Recentemente a revista Times indicou 25 deles na matéria “Os rostos da crise”. Aos olhos dos mais atentos, esse estudo chama atenção para o fato de que ao mesmo tempo em que especialistas procuram razões para esse momento crítico ter se iniciado, outras milhares de pessoas continuam criando tecnologias e desenvolvendo conhecimento. Qual a relação que temos aqui? Na verdade são maneiras distintas de olhar para um mesmo problema, todavia uma decisão estratégica de onde colocar a força gerada pela busca, seja na causa, seja na conseqüência. Portanto, essencialmente, essa crise que o mundo presencia pode ser considerada como uma escolha e um ato de percepção. Alguns preferirão resolver rapidamente a questão com demissões e redução de produção e outros com criatividade e soluções conjuntas. É, sem dúvida, concreta essa crise do ponto de vista econômico. Contudo, envolve-se aí uma revolução também concreta e decisiva de mentalidade para se fazer negócios e reduzir seus efeitos colaterais. É uma grande oportunidade para refletir sobre a contribuição da comunicação como processo de cooperação, principalmente como deflagradora de uma cultura menos insustentável. A comunicação de modo estratégico possibilita a criação de futuros conjuntos e oferece ferramentas para pensar e agir com maior propriedade e coerência. Torna a empresa imbatível adquirindo proveito competitivo crescente, inclusive, muitas vezes com baixo ou nenhum investimento de ação de marketing. Um bom caminho é atentar para a comunicação com stakeholders e aprender com a experiência de todos nós como parte da solução. Sem intenção de oferecer receita, mas contribuir com essa reflexão e ampliar a discussão, sugere-se aqui uma pauta:
O que digo é que devemos provocar em nossas empresas e organizações uma nova visão de superação em momentos de crise. É esse o maior desafio, olhar para a comunicação como mecanismo de redução da complexidade do mundo e tornar as pessoas mais treinadas para fazer a relação entre as coisas. Desta forma atuaremos mais nas causa e menos nas conseqüências. A caixa de ferramentas das empresas e as decisões imediatas resolvem, mas não solucionam. Todos somos parte indissociável desse processo. Funcionários, clientes, acionistas, fornecedores, consumidores; um elo rompido provocará impacto em toda rede. Quem azeita esses elos e permite que não se rompam é a Comunicação, principalmente no interior da cultura organizacional, local onde ocorrem as verdadeiras mudanças desejadas. Na concretização dos ideais corporativos, são as ações articuladas que determinam as qualidades individuais e profissionais, assumindo papel preponderante de preservação organizacional. Portanto, a comunicação – principalmente em tempos de crise - será decisiva para a formação de propósitos comuns. Solidariedade e cooperação: conceitos inseparáveis para superar qualquer crise. |
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